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segunda-feira, setembro 6

Deterrência


Naquele tempo, corrompi-me de palavras.
Houve o tempo em que delas me afastei.
E afastando e aproximando iam se passando as circunstâncias... E as pessoas vivendo...
Eu, menos navio e mais farol deixei que a natureza mutasse... e mudasse... e parasse como se nada fora natural, mas constante. Como se o mundo fosse o novo, transformasse tudo o todo sempre.
Agora, as disposições das coisas alteram enfurecidas, entorpecidas e, enlouquecida fica algumas outras espiar.

Suas vozes tristes,
e a minha, como se neutra, compõe aquele seu quadro pintado de cores quentes.

Frígida é a sua companhia de cantos desafinados,
e eu, em voz de soprano, sigo apenas técnica e minuciosamente o mando das notas.

Um pouco das minhas mudanças, pouco.
As delas, abalos.
Minhas mudanças, pouco.
Fig.: Grace Kelly, detalhe: vestimenta

sábado, outubro 31

Civiliza Percepção


E lá está a boiada no meio da civilização a cantar. E, a cantar está lá no meio da civilização a boiada.
O boiadeiro no meio da civilização começa a cantar. Os carros passam, ninguém percebe que ali paira a paz em tempos de guerra. Eles cantam, ninguém percebe que ali paira a guerra em tempos de paz.
E quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas por uma canção. E quem irá dizer que não existe canção.
Apenas aqueles que somente ouvem a civilização a fracassar. Apenas aqueles que somente ouvem. Apenas aqueles que somente. Apenas aqueles. Apenas.
E a boiada vai passar, vai mudar, vai parar.

terça-feira, agosto 25

Colher, há tempo se...


Eu li. “O Eclesiastes, o homem da assembléia, seu significado na língua grega, apresenta o pensamento de um sábio ancião com o intuito de instruir os jovens. Suas ricas exortações para conduzir bem a vida incluem sábias indicações no capítulo terceiro. Vale a pena recordá-las para reavivar, em oração, no próprio coração, tão pertinentes advertências e indicações. Ele diz: ‘Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para cada coisa debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de destruir e tempo de construir; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras e tempo de as ajuntar; tempo de abraçar e tempo de se afastar dos braços; tempo de procurar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de jogar fora; tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar; tempo de amor e tempo de ódio; tempo de guerra e tempo de paz.’”
Eu achei. Que talvez estivesse algo errado e que talvez tenha perdido O caminho.
Eu colhi. Hoje eu juntei uma pedra, ou colhi algo que semeei se assim queira entender. Talvez tenha demorado um pouco, mas quem importa? Enfim, chegou.
Fig.: Leitura (1982), de Almeida Júnior. Pinacoteca do Estado, São Paulo.