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sexta-feira, novembro 20

As cidades não têm nome


Um tiro aqui e logo, tiro em qualquer lugar.
Um perdido aqui e logo, perdidos em nenhum lugar.
Sem paz aqui, muito menos em outro lugar.
Oh fleuma! Oh fleuma!
Pra onde vai pleonasta fleuma?

segunda-feira, junho 1

Inútil a gente somos é muito útil.


A gente somos é muito útil
Pra violentar mulher, criança e jornalista X-9.

A gente somos é muito útil
Pra alojar contentos e desalojar sem teto.

A gente somos é inútil
Pra dar nome as ruas da África que não tem ninguém nem nada pra homenagear

A gente somos é muito útil
Pra fingir que não tem nada haver propagar o preconceito do vizinho doutro mundo.

A gente somos é muito útil
Pra criar fadiga e pra criar dor

A gente somos é inútil
Pra fazer a tarefa da gente

A gente somos é muito útil
Pra pixá a cidade e assaltá o trabalhador

A gente somos é muito útil
Pra falar que a culpa do outro e só eleger e não governar

A gente somos é inútil
Pra afirmar que o mundo vai ficar bom

A gente é mesmo muito inútil.
Afinal, a gente somos agente,
a gente somos a gente.

Fig.: Os Fuzilamentos de 3 de maio de 1808 (1814-1815), de Francisco Goya. 263,5 cm x 410 cm. Museu do Prado, Madri.