domingo, junho 27

Protocolado - Pág. 9


Removido pela autora.


Fig.: Pietro Perugino - Apolo e Mársias

sexta-feira, junho 18

Dicionário


Antes da contribuição de hoje preciso dizer em primeira pessoa que não posso agir na negligência de que há neste canal autor e leitores; é preciso então fazer um esclarecimento. Texto e imagem aqui se entrelaçam em um princípio fundamental: um não é legenda para o outro
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A história é mais ou menos assim. Há quem se identifique com ela.
Na primeva, a referida paixão era tomada por livros de figuras mágicas e contos de fadas. Na ausência da habilidade de assimilar a leitura das palavras com o que se escutava ou falava, enquanto alguém lhe contava a estória, ficava a admirar as imagens. Mas, o que se há de fazer com a verdade de que “texto e imagem entrelaçam-se em um princípio fundamental [de que] um não é legenda para o outro”. Era necessário aprender a codificar as palavras e entendê-las sozinha para que fosse possível cantar o hino da independência e fomentar sua própria paixão.
Ganharam destaque os livros didáticos, ensinando a ler, contando estorinhas batidas e contando musiquinhas infantis. Passar muito tempo com esse tipo podia até ser legal, mas, era aprisionamento demais, maçante demais: tinha que fincar os pés no chão. Necessário seria se desprender de novo. Mas que nada. Praga que se alastra por todo tempo, por todo espaço, acaba o inútil se tornando útil quando os parâmetros se confundem e a utilidade ganha diversos valores.
Ai, ai! Mas é aí que se foi possível alcançar os livros da viagem, os incapazes de se reduzirem a uma só palavra, ou texto, ou interpretação, o que é a compreensão se se representada a materialização do infinito palpável. Só pode ser magia de alimento para a limitação da racionalidade humana e o freio para a irracionalidade. Não. Tem um tipo de livro que pode, mas não deve acompanhar quem permanece no almejo de se desprender. Limitantes, também maçantes, finitos e capazes de cegar. O dicionário. Substantivo masculino: 1- Enquadrador de sentidos na busca de uma comunicação objetiva, sempre antiquado. 2 – Aquele a quem se recorre na busca de significação para inteligentar o emburrecer. Triste fim e interrupção a quem lê. Pausar a infinitude da imaginação para recalcar o pensamento no cimento do dicionário: só pode ser coisa de realidade positiva, e sombria.
Então se ergue o timbre da razão, monótono em canto gregoriano:

_ Há ordem e progresso se continuais a ler, mas não deixe de me visitar com amor, mero mortal, por que sabes que precisarás de mim. Pois eu, que aqui estou, por vós, espero.

quarta-feira, junho 2

Não envelheço, penso.


Tive que trocar as escadas por uma rampa. Quando os joelhos já não mais funcionam como jovem o melhor é não sentir a efeito falho de dobrá-lo consecutivamente para não ter a sensação de já estar velho demais para executar ações banais. E quando o fisioterapeuta, alto, forte, de pele branca e lisa entra por aquela porta conversando comigo como se eu fosse um bebê ele não imagina que aqui dentro ainda está aquela linda jovem de 20 anos que um dia desviava olhares na rua. E ao pegar na minha perna, ele a dobra. E enquanto ela vem e vai, vem e vai eu fecho os olhos para amenizar a dor de forma que me faz árdua não voltar aos 15 anos. Eu, dentro de uma saleta repleta de penumbra e luz, ao som de Tchaikovsky num piano meio desafinado a forçar imensamente uma dor que na época era mais vício. E os fouettés pareciam naturais, eu podia voar. Ele me levanta da cama e a amizade intensa nos permite brincar de rodar, como se eu fosse criança. Eu novamente fecho os olhos para amenizar a luz forte que bate nos olhos e me causa mais cegueira. Ah! Um belo homem que podia ser meu neto, crueldade, se tornara a constância diária de meus pensamentos. Pecado seria relatar isso a alguém. Agente se torna velho e todo mundo acha que já estamos mortos. Quando nos olham a primeira associação é o encantamento, não há desejo, não há paixão, só restam os sentimentos medianos que todo mundo guarda no baú, para abrir nos dias de solidão. E essa brincadeira de roda parece eterna. E vamos girando sem fim como uma película de filme, se vão ultrapassando meus dias, minhas noites, quando o filme vai sendo cortado em alguns pontos e aplaudido em outros. E tudo que eu desejo é que o filme não acabe, não acabe. Mas ou se acaba ou se queimam aquelas belas imagens. Então, para não se esvaírem os agradecimentos, agente produz uma feliz e bela Coda. Eterna, sincera e roda. Os sons vão ficando piano, cada vez mais piano. Coloca-me em seus braços, berço e durmo.

sábado, maio 22

domingo, maio 16

Decidi voltar

E naquele tempo, clamavam...
O que nos resta é o desejo comum de voar. Ver a vida passar como que pássaros em direção ao horizonte infindo e indefinido, a sentir somente a brisa que toca o corpo causando conflito. Folha que percorre o curso do rio indica harmonia e não-mudança; folha que muda o sentido salta e ressalta o conflito natural existente. Conflito harmônico, conflito infinito, conflito que para e apara a realidade. Conflito que muda. E voar é a arte de se mover em intenso conflito com a natureza, talvez por isso seja tão difícil a natureza humana voar. Somos inicial e prematuramente avessos ao conflito. À medida que crescemos, melhor entendemos essa verdade que se consagra súbita e inquestionável, o que seria dizer que nos conformamos. Resta-nos a eterna esperança da harmonia. E, desenrolando, resta-nos almejar utopicamente, a cada momento do dia. Perfeição. De uma forma ou de outra a maioria quer o que não se tem. Acabam esquecendo de vislumbrar o memoramento do que se tem, do que se teve, do que se pode ter. Tão simples usar o mesmo verbo em três formas distintas a dizer nada parecido. E o curso do rio não muda. Fixa é o fluxo. Desde milênios, esse rio que aqui perpassa, do frígido ao caloso solo, se acaba por debaixo da terra. De longe está a alcançar a imortalidade do mar. E no infinito que se preza pelo prazer do saber vivido por poucos, desconhecido por muitos. E voar se torna uma atividade leve e fácil, como se impulso involuntário fosse flexionar os membros para o salto. E mesmo que a unidade do ideário não se hesite em fazer voar, se sente. Sentir como o pássaro, o animal do carma ao conflito. E andar, e falar, e levantar os braços em contrapartida, fica difícil. Tira-se um tento, se ganha o outro.