
Havia um jardim. Em todo orbe de possibilidades naquele lugar havia um jardim.
Estava tudo muito nublado e a música era melancólica demais para um espírito outrora fugaz e alegre. As pessoas estavam também amarradas demais umas nas outras para um corpo livre. E as coisas estavam confusas. O momento era estranho e o silêncio era mais fúnebre a uma simples pausa musical: da sinfonia 5 de Shostakovich. Foi quando as circunstâncias mudaram e abrira um céu que beirava o abismo da perfeição. Indiferente a toda erudição possível a música a tocar ganharia um reconhecimento efêmero de mais corpo e menos espírito de uma pequena, uma little star.
Foi aí que, sob os raios daquela imensidão celeste e aquela estrela de incomensurável beleza que os seres se retrataram e acordarem: Se você me desculpar, eu te desculpo, por estar a um só corpo e um só espírito milhas e milhas diferente de mim.
No sonho, um avião que caiu. Mas o mais incrível e inédito desse fato, dessa circunstância ou desse acidente, como queira denominar, foi que essa queda a todo o momento foi ligeira e macia. Coisa de sonho e de quem anota o sonho. Mas, mesmo que ainda que representasse a assustadora e esmagadora idéia da queda de uma aeronave, imponente, desbravadora, de curiosidade restante para o infinito e além, aqueles que nela estavam não desesperaram. O que eles pensaram era se eles iriam perder o próximo meio de locomoção, o navio, que ficaria distante em alto mar, ressalto, em mais perigo. Mas como um cérebro inconscientemente foi capaz de criar uma situação tão fielmente interpretativa da minha realidade. Mistérios de quando eu quis ser psiconeuroendocrinologista. A questão é que realmente não importa quantas vezes houve uma queda, como contabilizam a maioria das mentes utilitaristas e quantitativas atuais. O importante é que ela seja suave, que você a satisfaça, que você se satisfaça. Aprenda, levante, e saia vivo dela! O José Alencar já havia falado pro Jô: “Perder é fácil. Difícil é saber ganhar. (...) Dentre as difíceis circunstâncias o importante é não desesperar”. Assista e perceba a relatividade da mortalidade. Ele, com tudo isso e aquilo, se tornou um homem imortal de 79 anos de idade. Não se deixe enganar pela quantidade. E eu simplesmente não me importo que alguém bastante desinformado, ou informado em demasia reduza e enquadre essas meras e simplórias palavras em um conceito vazio de “auto-ajuda”. “The eager young minds of tomorrow”, já falava Nash no início de suas aulas, e que, agora sou eu quem digo e pergunto: tem glória maior do que o momento em que você ressurge e renasce de quando a vida não era simplesmente um fato já dado? Essa é contida pelo mais elementar sentimento de viver, não existe outro que substitua o sentido de estar vivo. E nem mesmo é terrorismo, ou "horrorshow" pensar que essa situação é permanente. Afinal, que garantia temos nós? “Se antes de cada ato nosso nós puséssemos a prever todas as conseqüências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar” José Saramago, no único Nobel de Literatura da Língua Portuguesa que indico fortemente e faço coro determinantemente a tentativa de quem lê em fazer refletir. Capiche?