Mostrando postagens com marcador Memórias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Memórias. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, maio 25

No céu, pequena, sem o brilho dos diamantes

Estava tudo muito nublado e a música era melancólica demais para um espírito outrora fugaz e alegre. As pessoas estavam também amarradas demais umas nas outras para um corpo livre. E as coisas estavam confusas. O momento era estranho e o silêncio era mais fúnebre a uma simples pausa musical: da sinfonia 5 de Shostakovich. Foi quando as circunstâncias mudaram e abrira um céu que beirava o abismo da perfeição. Indiferente a toda erudição possível a música a tocar ganharia um reconhecimento efêmero de mais corpo e menos espírito de uma pequena, uma little star.

Foi aí que, sob os raios daquela imensidão celeste e aquela estrela de incomensurável beleza que os seres se retrataram e acordarem: Se você me desculpar, eu te desculpo, por estar a um só corpo e um só espírito milhas e milhas diferente de mim.

segunda-feira, janeiro 11

O Guardião de todo seu tempo

Arrumava as coisas no quarto. Analisava suas pulseiras, brincos e enfeites de cabelo quando de repente encontra o seu antigo e amado relógio. Aquele é um relógio especial. Foi-lhe dado como congratulações de sua primeira formatura, aquela em que se celebra a arte de ler. Foi seu primeiro relógio sério, porque de brinquedo, de bala e até desenhados de caneta já haviam muitos. Sério porque era nele que ela realmente acompanhava o passar das horas e por muito tempo foi por trás daquelas lentes que pautavam seus compromissos de criança. É um relógio lindo, judiado pelo tempo, lindo! O tempo desgastando o tempo... Que perfeição! Ela se pôs a lembrar de como esse relógio trouxe bons momentos. Brincadeiras, amigos... Mas ela viaja. Ela agora está encostada na coluna que sustenta a laje do quintal de suas escolhinha. Com seis anos, usa o relógio que lhe foi dado no ano anterior. É dia de comemoração. Aniversário da sua primeira segunda casa, a escolhinha que tanto ama, de muitas lembranças. O mágico pede o guardião do tempo pausado em seu pulso, ela esquiva. Na verdade ela teme pelo que pode acontecer com seu relógio. Ficar sem ele seria uma tragédia e ela não confia nesse homem que faz surgir e desaparecer as coisas. “Seu pó mágico pode acabar, ele pode aproveitar de se poder e roubar o meu relógio”. Enfim, seus pensamentos não há impedem de destravá-lo de seus braços e entregar seu tanto querido presente, as pessoas olham, ela desconfia. Pronto! Está feito! O relógio nas mãos daquele ilusionista não poderia ganhar bons destinos. Eis que o relógio é colocado no saco mágico e depois de uma sacudida ela se espanta. O seu relógio desapareceu, o que temos no lugar é uma ridícula ceroula moderna, vermelha e vulgar. Ela chora. Desespera-se pelo seu relógio, ela lamenta, lamenta muito. O mágico se apressa para desfazer a mágica, afinal, ao invés de aplausos, sua platéia anseia pela volta do relógio para minguar as lágrimas da menina que tanto chora. Ela não quer o relógio, ela quer as lembranças carregadas naquele objeto de volta. Ainda com ele em mãos ela continua a chorar o medo da falta. E por isso, ela decide voltar a usá-lo agora já adulta. Naquele relógio estão lembranças, choros e paixões. Ela gosta disso. Ela gosta desse encantador relógio. Antigo, amado, especial.

segunda-feira, novembro 30

Como rosas cálidas


As incertezas continuam as mesmas. O tempo pode passar, a gente pode crescer, mas elas ficam.
As inseguranças também não mudam, ficam encobertas. Todo cuidado é pouco pra não deixar que haja quem as descoberte.
As seguranças se alimentam.
As certezas ainda bem nunca aparecem.
Inópias, cálidas rosas.
Verossímeis pensamentos perdidos.
Disso, sua vida, de repente, virará o reflexo.

domingo, outubro 4

N de Não Somente Memórias


Ainda que a estrada tenha sido longa
Ainda que a vivência tenha sido pouca
O Sol já não se desperta
Pra mim como pra você.

Ainda que estejam plantadas minhas mais lindas e remotas lembranças.
Ainda que tenha me iluminado e abençoado por toda vida.
A Lua se mostra mais triste
Para mim e não para você.

Ainda que tenha crescido
E não mais sibile pequenas palavras.
Serei para sempre a pequena Teté.

Terei a lembrança de um ancestre
De um grande terrestre
A se iluminar na eterna Sé.

sexta-feira, junho 26

Dose de devaneios doentis


39,5 graus Celsius. Temperatura fora do normal, soberania física insegura. A causa são esses bárbaros bacterianos invasores. Em um clima seco faz aumentar a procura por um território quente e úmido para se sobreviver e se propagar.
19 Anos. Corpo saudável e bem alimentado, porém, com imunidade abalada. Talvez fosse um estresse físico, mental e psicológico juntando-se com uma gripe imperceptível, fazendo com que a minha vida virasse de cabeça para baixo.
A febre incessante sinalizava os 2/3 do pulmão esquerdo comprometido. O corpo é nada mais que merecedor de uma repentina internação. Foram 7 dias de tratamento intenso que o corpo jovem e saudável respondeu progressivamente bem. A pneumonia aguda inédita e inesperada assustou, e assustou muito. No início, muito susto e muito choro acalmados por visitas de pessoas queridas, boa alimentação e bons cuidados profissionais. Foi então aí que percebi que preciso mudar muitas atitudes, tiras alguns males e introduzir muita bonança. Mais que preocupar em construir um bom futuro incessantemente é preciso viver de forma saudável e sustentável no presente. O futuro virá bem se equilibrado deixar o presente. Talvez erradique alguns picos de estresse, excessos acadêmicos e maximize mais o descanso, a diversão e demais prazeres da vida.
Venci. Venci esses bárbaros invasores e fiquei com medo da resistência. Talvez por isso seja a primeira vez que esse orgulho presente demonstre um grande sentimento de vitória. Uma vitória de algo que testou meus limites e me fez pensar na condução da minha vida. Vida essa, essa nossa vida que parece ser forte e possante, mas que é frágil em muitos sentidos.
Além de um pulmão que ficará em recuperação nos próximos dias e meses, tratarei do meu coração e equilibrarei a preocupação com o cérebro, com o intelecto. Para o infinito e além, regarei os campos da minha fé.
Afinal, equilíbrio é o necessário, não é? Precisamos de tudo isso para viver, eu preciso disso. Essa nossa “nada mole vida”, cheia de valor e vulnerabilidade. Mas esses três “v”s – vida, valor e vulnerabilidade – que se interligam de tal forma a se confundir num mesmo ser, são outra história.
Carpe Diem. Oremos. Amém.

segunda-feira, junho 8

Resposta


Olá,
Independente de estar feliz ou triste externamente, eu ainda guardo uma sensibilidade tendenciosamente alegre dentro de mim, e sou capaz de reconhecer isso. As expressões contraditórias que transcendem meu eu, não passam de regras estritamente fisiológicas que transpassam o controle da minha racionalidade e até mesmo meu tão dito auto-controle, citado por especialistas. Por mais preponderantemente auto-equilibrada que seja e me faça, em alguns momentos, como disse algo foge ao meu controle. Bem, isso não é de todo mal.
Digo isso porque, mesmo não tão equilibrada mas ainda sensível, sempre estarei a adorar o que sempre admirei.
Me falaram para contemplar a linda lua cheia que se mostrava em um céu límpido. Ironia momentânea, ao abrir a janela o que vi foram somente inúmeras pequenas nuvens acinzentadas belamente intercaladas em um tirante a negro céu.
Um pouco tempo depois, voltando a olhar com esperanças de que me surpreenderia, o ineditismo se fazia presente apenas num singela, pequena e longínqua estrela a brilhar.
Olharei novamente, e procurarei pelo astro na mesma fase em que vi quando abri as portas para esse mundo. Ainda hoje, não vi São Jorge e seu dragão, mas os verei em breve. Perdoe-me então por não ter visto, o infinito, da mesma forma.
Abraços,
Garotinha
Fig.: A Noite Estrelada, Vincent Van Gogh (1889-1890) 73,7 x 92,1 cm. The Museum of Modern Art, New York.

quinta-feira, junho 4

Verossímil Inópia Fé


Ela estava lá. Lá estava ela. A figurar dentro do ônibus, um mundo diferente. Fecham-se involuntariamente seus olhos com a luz do Sol que penetra. O Sol, “ah como ele faz bem e não é egoísta em compartilhar de sua beleza”. Ela lembra como o bem faz mal. E ao redor, os olhares. Assim como tostada ao Sol, ela seca diante essa situação de constrangimento do seu eu radiante. Mas diante dela a canção exteriorizada de uma mulher a faz pensar que não era a única a recuperar-se à energia do Sol. “...Olha para mim Senhor, como eu preciso do teu olhar, do teu olhar...” As lágrimas não se seguram e caem brilhantes à luz predominantemente penetrante. Aquela melodia significatica, ritmizada e repetida acompanhou todo um trajeto em caminhos que ela já não conhecia mais. Ela afinal estava confusa porque tudo que pensava ela já pensava o contrário. E lá estava aquela mulher trazendo consigo um mundo completamente diferente. Ela levanta-se e sai. A outra reposiciona-se em seu lugar. E acompanha até perder de vista aquela sofrida imagem com a alegria mais radiante que nunca outrora havia presenciado. Apenas aqueles olhos importavam apenas aquele brilho, cheio de fé, cheio de vida, cheios de luz.
Fig.: A Primavera, 1478, Botticelli. 203 cm x 314 cm. Galeria Uffizi, Florença

domingo, maio 24

Anos 2000


O pai se assusta ao ver sua inocente filha do primário a desenhar uma série de espermatozóides ao encontro do óvulo em seu quadro negro de estudos na sala de estar. Era do tempo em que ela aprendia ensinando à televisão, aos móveis da sala, às paredes e ao grande vazio. Com a reação do pai, a mãe singelamente ri na cozinha. De fato, estaria na hora dela saber das coisas da vida.

_ É Pai! Desses aqui, só um irá sobreviver, eu fui um deles! Já diria Vinicius:

"Óvulos se rompem
Crostas se bipartem
E de cada poro
Da minha epiderme
Lutam lepidópteros
Por se libertar. "

O pai sai, a filha e a mãe ficam e se entreolham harmonicamente. A filha fica em dúvida se continua ou não sua distração e divertido método de aprendizagem.
É chegada a hora do almoço, e ela se junta a seus progenitores.
***
Fig.: Um Embrião no Útero (1512), Leonardo da Vinci, Royal Library, Windsor.

sexta-feira, abril 24

O princípio de uma mente frenética

Memórias regadas com muito café, cansaço e informação.
Compreendo que ser vestibulando é uma das tarefas mais ridículas, necessárias e desgastantes existentes. Porém, é inegável que, foi nesse momento, marcado por fadiga e estresse que diversas idéias tomaram forma.
Nada melhor que uma mente ocupada para ser interrompida por idéias retardatárias do raciocínio e da faculdade inicial.
A pergunta que sempre fica é o limite entre a razão e a loucura. Qual?

10 de Junho de 2007

"Sonhos bizarros e criativos.
Por um momento acredito estar enlouquecendo...
Em outro, penso que é sonho tornando-se real.
É uma verdade!
Desnecessária ou inconsequente?"

terça-feira, abril 14

O Ser: Criança


Estudar muitas vezes é legal. Mas, na maioria das vezes, pensar dói. Imaginar não. Ontem, estava a estudar algo sobre sistema monetário para uma prova de economia. De repente, por meio de uma comparação de dólares com as notas de um Banco Imobiliário feita por um autor , em minha cabeça algo se nostalgiou.

Quando ganhei meu Banco Imobiliário, fiquei impressionada com a quantidade de moeda constituinte daquele jogo. Eu imaginei realizar muitas transações com aquele dinheiro, e cheguei a me perguntar o motivo de no jogo se ter mais moeda do que o que o próprio valor que o jogo exige para ser comprado. Imaginação de quando criança é realmente uma das coisas que uma pessoa pode sentir mais falta na vida. Cheguei a perguntar a minha mãe algo como o que eu poderia comprar como aquele dinheiro. A resposta que tive era que aquelas moedas não eram válidas no mercado. Um pouco frustrada, me coloquei a pensar sobre como solucionar aquele tão importante problema. Incrivelmente, eu encontrei uma solução, lógica para mim naquele momento. O que eu poderia fazer era ir ao banco e trocar todo aquele dinheiro. Eu poderia, então, realizar os meus mais profundos desejos, que com certeza eram os mais absurdos e não-materiais, mas não me lembro exatamente quais eram. Enfim, por um triz não recolhi tudo e levei ao banco. Não fosse o meu medo de ser presa, ser pega em flagrante por falsificação de moeda, ser levada por policiais a delegacia aos 7 anos de idade, eu o teria feito e não teria sido nada legal. Me contentei em usar aquele dinheiro para comprar a Av. Rebouças, a Companhia Ferroviária e até mesmo pagar impostos, o que eu não queria era ir para a prisão - no jogo e na vida. Ora, no meu mundo aquela poderia ser uma válida "moeda de curso forçado", principalmente quando eu imaginava a construção de uma cidade modelo onde só houvesse o bem e a paz. Mas estas são outras memórias. Finalizarei esta aqui com um imenso sorriso, menos infantil e inocente do que aquele que era capaz de soltar quando era pequena. Porém, expressado por um sentimento verossímil do que é sentir ter sido um dia, criança.