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quarta-feira, maio 25

No céu, pequena, sem o brilho dos diamantes

Estava tudo muito nublado e a música era melancólica demais para um espírito outrora fugaz e alegre. As pessoas estavam também amarradas demais umas nas outras para um corpo livre. E as coisas estavam confusas. O momento era estranho e o silêncio era mais fúnebre a uma simples pausa musical: da sinfonia 5 de Shostakovich. Foi quando as circunstâncias mudaram e abrira um céu que beirava o abismo da perfeição. Indiferente a toda erudição possível a música a tocar ganharia um reconhecimento efêmero de mais corpo e menos espírito de uma pequena, uma little star.

Foi aí que, sob os raios daquela imensidão celeste e aquela estrela de incomensurável beleza que os seres se retrataram e acordarem: Se você me desculpar, eu te desculpo, por estar a um só corpo e um só espírito milhas e milhas diferente de mim.

domingo, janeiro 30

Quando te atrapalham a escrita

Conversa bastante afinada entre papéis de carta. Séculos atrás que talvez pudessem ser tão mais atuais, não fossem as formalidades das palavras e os belos costumes de civilidade arriados e esquecidos. Dois que não se conheciam, que, nem ao menos conterrâneos eram. Por uma escolha da probabilidade, da sorte, ou do destino – como dizem – aquela carta, vinda de muito longe, escrita tão dolorosamente – às pressas – a contar os novos ares acabou por restar na caixa de correios de quem ainda não entrara na história.
Foi quando a parte que se segue foi lida pela primeira – das muitas outras – vezes em que o interlocutor iria parar-se diante daquelas centenas de palavras ao observar apenas algumas e agarrar-se à carta como quem pede um abraço singelo no físico, mas de tão grande voluptuosidade na alma. “Quem proclama o fim, dá o recomeço. Quem sofre o fim, cala-se”, dizia o texto em questão. Algo, que para o leitor referido, parecia ter sido escrito como se retirado de outro canto, relevante ou não, e simplesmente jogado. Assim, essa parte tornou-se um trecho ao mesmo tempo frio e quente na sua vida. Um trecho desgarrado, um só texto. Inteiramente sem contexto. E depois, de tendo tão vivido, tão sonhado, tão acordado e tão recebido muitas outras cartas do remetente desconhecido a história terminou, sem ao menos ter um dia começado. E daí tudo virou-se como realidade, observada através da ilusão de um espelho.

sábado, dezembro 18

Faz-se a luz. Faz-se o alimento. Faz-se o amanhã.

O céu se arama, paira no horizonte a figura imaginada de uma constante e intensa queda. As águas continuam se unindo e aquele pingo reluzente, continua só!

Lá embaixo o pólen. Continua a pairar no corpo da abelha. Abelha? Porquê?

Alguém grita: "Faz-se a luz!"

terça-feira, novembro 30

Trocando Méritos


Quando pequena, educada e traquila. Mas a vida lhe ensinou também, além de tudo, a dizer não, rispidamente.

"Muitos méritos" - ouvia.

Mas ela os trocaria para que depois da tempestade viesse a bonança.
"Poço de ignorância!"

Se eu faço, tu...


_ Como ousas... Como ousas ameaçar a aplicabilidade da palavra concedida num momento de profundo tremor. - Pensou ao acordar no meio da noite.


_ Como ousas... Como ousas proclamar o fim do interregno e jogá-lo à eternidade sem ser nem mesmo dono do destino. - Respondeu ao ver o absurdo


_ Como ousas... Como ousas isso dizer sem rimar.

segunda-feira, novembro 15

quarta-feira, novembro 3

quinta-feira, outubro 21

Tentar dizer quando longe




Passa sete horas à frente do papel e nada sai. A única coisa que resta é uma palavra: aquele nome que não deve ser escrito, nomeado. Que sequer deve ser pensado, mas que a ocupa.
As outras palavras que a elevam ficam retidas a um só nome, escondidas. Sem fingir, demonstra que seu mundo se acaba quando não está perto.
Mas no fim se esconde o que se precisa dizer.
E quando da ocorrência de um olhar, se diz.
Calando as palavras, mostrando as evidências.
Mas te deixar, pela última vez.

quinta-feira, outubro 7

Faz diferença em primeira pessoa



O olhar daquela mulher me fitando confirmava o que eu iria saber momentos depois. Eu a lembro a sua filha, morta de forma fulminante quando ainda era nova. E não há nesse mundo sentimento absoluto que me faça descrever de forma rápida o que foi descobrir algo assim na minha vida. Algo assim ainda hoje, quando sinto as coisas balançar. Deve haver em mim, por isso, muita compaixão para ela. Eu entendo. Naquele momento meu mundo se resumiu a isso. E se eu tivesse sabido antes de vê-la embora, eu a chamaria, sentaria, conversaria e demonstraria que por esse simples acontecimento, não importa o que ela fosse para mim ou o que eu fosse à percepção dela, eu também a via com muitos sentimentos. Isso faz me sentir humana.

Ainda que me reste incertezas. Ainda que me exija racional. Ainda que me porte fatalmente relativa. E por mais apolítico que isso seja e assumindo as conseqüências. Por mais escandaloso. Por mais desonrado e desordeiro para outrem. Sou deveras emoção. E é por isso que conscientemente da forma mais racional eu reafirmo que tudo que sei é que nada sei. Por mais que para a maioria o pouco que sabemos baste. E isso talvez me salve da estupidez. Ou talvez me eleve a ela. Ou talvez me faça crer novamente no homem. E me faça crer no outro. Na sua racionalidade e na sua emoção. E me faça querer novamente destruir a díade que rege nosso mundo. Mas talvez eu me decepcione novamente. Certamente decepcionarei. Lágrimas não me faltam. O mar. Nossos olhos. E a tempestade sempre vem. Nos novos, o medo da vida. Nos velhos, o da morte. Os ideais balançam. As idéias balançam. E até a nossa racionalidade balança, por tudo ser logicamente justificável. As evidências ironicamente são relativas. E o meu importar comigo balança. Com o outro também. Aumenta-se e diminuem-se as morais. E as amorais. E me importam as percepções que passo ou que falem porque essas também sou eu. Eu afirmo isso no presente e que não vai mudar no futuro. Isso me faz sentir indivíduo.

Contudo entre o humano e o indivíduo há algo que me faz pecar. O incansável poder da busca. E há algo que me faz querer ser menos indivíduo e demasiadamente humana. Minha característica e fraqueza exposta. Mas que ainda assim, balança. Porque na palavra essencialmente minha, não há pistola carregada. Ainda que eu tente. E eu não mudarei isso porque o mundo se julga injusto ou cruel.

Há dias que sinto. Desculpe-me. Nos outros, vivo. Assumo.

sábado, outubro 2

Protocolado - Pág. 7 (Arquivo Simplório)

Duas sentenças removidas pela autora
Figurante: W. Maguetas - Lembranças 50 x 60 cm

quinta-feira, setembro 16

Canto essa canção: Quando o Marajá toca a cítara


Piano.
Piano.
Desculpe, mais piano.
Mais piano.

Certo. Certo. Isso! Muito bem.
Ao sinal, da capo.
Agora...
Da capo.

A margem some. Dado objetivo, a vida jorra. Sólida, a margem desmancha. E prima, no ar, por ser, tão próxima, tão distante. Tão distante, tão sólida.

Entendo, não consigo acreditar nas notícias de hoje. O dia some, desmancha. No tempo, quanto essa canção.

SEURAT, Georges. Le Chahut, 1889-1890, óleo sobre tela, 169 x 139 cm; Otterlo, Kroller-Muller Museum

segunda-feira, setembro 6

Deterrência


Naquele tempo, corrompi-me de palavras.
Houve o tempo em que delas me afastei.
E afastando e aproximando iam se passando as circunstâncias... E as pessoas vivendo...
Eu, menos navio e mais farol deixei que a natureza mutasse... e mudasse... e parasse como se nada fora natural, mas constante. Como se o mundo fosse o novo, transformasse tudo o todo sempre.
Agora, as disposições das coisas alteram enfurecidas, entorpecidas e, enlouquecida fica algumas outras espiar.

Suas vozes tristes,
e a minha, como se neutra, compõe aquele seu quadro pintado de cores quentes.

Frígida é a sua companhia de cantos desafinados,
e eu, em voz de soprano, sigo apenas técnica e minuciosamente o mando das notas.

Um pouco das minhas mudanças, pouco.
As delas, abalos.
Minhas mudanças, pouco.
Fig.: Grace Kelly, detalhe: vestimenta

sábado, agosto 21

sábado, julho 31

Mensurações Galácticas


Mas para trás,
eu sempre iria.
Não sei pra onde, nem pra quando,
a morte eu sei que adiaria.
Quantas idéias eu perdi?
Diamantes no céu,
e uma grande pérola.
A lua costumava atender os meus pedidos!
Quantas pérolas teriam meu colar se contasse todas as noites peroladas do céu?
Seria possível adivinhar.
Alcançaria o diâmetro da terra?
Não sei.
Viajaria da lua ao Sol?
Talvez.
Contornaria a terra como num globo de espelhos, as pérolas!
Que ostra é essa que fabrica esta imensa que olho?
Que areia ou impureza se transformou nessa linda e pequena esfera levemente dourada e brilhante?
Mas que tristeza foi essa?
Ostra feliz não faz pérolas.
No céu a orbita de diamantes me causa essas mensurações galácticas!
E se vai, com isso, incompreendendo o compreensível.
Inimaginando o imaginável.
Realizando o irrealizável. Mais conhecido vulgarmente como impossível.
Ah vá lá né!
Quantas sinapses seriam precisas?
Precisas de necessário, ou, precisas de acuidade?
Se eu tivesse anotado todos os sonhos nesses 20 anos, nessas tantas luas, pérolas e diamantes,
Eu sei que uma bíblia de histórias eu teria.
E pra publicar só se fosse a pergaminho!
Nunca acabariam essas oito horas diárias de milhares de sonhos... e sonhos de mais que oito!
Por que sonhos eu sonho só, então, eu praticamente só sonho.
Não sonho junto, nem sei o que é realidade.
Sei que é raridade!
No início me lembrava de um, dois, e estou no três...
Será possível, um dia, lembrar de todos os sonhos de uma só vez?
E que Chá é esse de Melissa e Anis Estrelados?
Nomes lindos pra concorrer merecidamente com Julia, Alice e Sofia.
Só tendo muito filho,
para dar tanto nome bonito,
Meu Deus!
E quantos chás se fariam
com a água fervente do banho?
Ora, quantas misturas, colorações, sabores e companhias!
Ah! Companhias!
Mas sonho se sonha só.
Realidade se sonha junto!
Como é que eu pude esquecer-me de anotar todo dia
Um sabor diferente de comida?
Como é que eu me não me lembrei de não esquecer todas as sensações?
É que quando elas passam, não voltam.
Nunca se sente nada duas vezes.
Quantas flores existem no meu jardim?
Nenhuma.
Eu não tenho jardim!
Mas...
Quantos sentimentos existem no mundo?

quinta-feira, julho 22

Protocolado - Pág. 9-10


Removido pela autora.

Fig.: Eliseu Visconti, Trigal, Coleção Particular, 60 cm x 80 cm

terça-feira, julho 6

sexta-feira, junho 18

Dicionário


Antes da contribuição de hoje preciso dizer em primeira pessoa que não posso agir na negligência de que há neste canal autor e leitores; é preciso então fazer um esclarecimento. Texto e imagem aqui se entrelaçam em um princípio fundamental: um não é legenda para o outro
***
A história é mais ou menos assim. Há quem se identifique com ela.
Na primeva, a referida paixão era tomada por livros de figuras mágicas e contos de fadas. Na ausência da habilidade de assimilar a leitura das palavras com o que se escutava ou falava, enquanto alguém lhe contava a estória, ficava a admirar as imagens. Mas, o que se há de fazer com a verdade de que “texto e imagem entrelaçam-se em um princípio fundamental [de que] um não é legenda para o outro”. Era necessário aprender a codificar as palavras e entendê-las sozinha para que fosse possível cantar o hino da independência e fomentar sua própria paixão.
Ganharam destaque os livros didáticos, ensinando a ler, contando estorinhas batidas e contando musiquinhas infantis. Passar muito tempo com esse tipo podia até ser legal, mas, era aprisionamento demais, maçante demais: tinha que fincar os pés no chão. Necessário seria se desprender de novo. Mas que nada. Praga que se alastra por todo tempo, por todo espaço, acaba o inútil se tornando útil quando os parâmetros se confundem e a utilidade ganha diversos valores.
Ai, ai! Mas é aí que se foi possível alcançar os livros da viagem, os incapazes de se reduzirem a uma só palavra, ou texto, ou interpretação, o que é a compreensão se se representada a materialização do infinito palpável. Só pode ser magia de alimento para a limitação da racionalidade humana e o freio para a irracionalidade. Não. Tem um tipo de livro que pode, mas não deve acompanhar quem permanece no almejo de se desprender. Limitantes, também maçantes, finitos e capazes de cegar. O dicionário. Substantivo masculino: 1- Enquadrador de sentidos na busca de uma comunicação objetiva, sempre antiquado. 2 – Aquele a quem se recorre na busca de significação para inteligentar o emburrecer. Triste fim e interrupção a quem lê. Pausar a infinitude da imaginação para recalcar o pensamento no cimento do dicionário: só pode ser coisa de realidade positiva, e sombria.
Então se ergue o timbre da razão, monótono em canto gregoriano:

_ Há ordem e progresso se continuais a ler, mas não deixe de me visitar com amor, mero mortal, por que sabes que precisarás de mim. Pois eu, que aqui estou, por vós, espero.

quarta-feira, junho 2

Não envelheço, penso.


Tive que trocar as escadas por uma rampa. Quando os joelhos já não mais funcionam como jovem o melhor é não sentir a efeito falho de dobrá-lo consecutivamente para não ter a sensação de já estar velho demais para executar ações banais. E quando o fisioterapeuta, alto, forte, de pele branca e lisa entra por aquela porta conversando comigo como se eu fosse um bebê ele não imagina que aqui dentro ainda está aquela linda jovem de 20 anos que um dia desviava olhares na rua. E ao pegar na minha perna, ele a dobra. E enquanto ela vem e vai, vem e vai eu fecho os olhos para amenizar a dor de forma que me faz árdua não voltar aos 15 anos. Eu, dentro de uma saleta repleta de penumbra e luz, ao som de Tchaikovsky num piano meio desafinado a forçar imensamente uma dor que na época era mais vício. E os fouettés pareciam naturais, eu podia voar. Ele me levanta da cama e a amizade intensa nos permite brincar de rodar, como se eu fosse criança. Eu novamente fecho os olhos para amenizar a luz forte que bate nos olhos e me causa mais cegueira. Ah! Um belo homem que podia ser meu neto, crueldade, se tornara a constância diária de meus pensamentos. Pecado seria relatar isso a alguém. Agente se torna velho e todo mundo acha que já estamos mortos. Quando nos olham a primeira associação é o encantamento, não há desejo, não há paixão, só restam os sentimentos medianos que todo mundo guarda no baú, para abrir nos dias de solidão. E essa brincadeira de roda parece eterna. E vamos girando sem fim como uma película de filme, se vão ultrapassando meus dias, minhas noites, quando o filme vai sendo cortado em alguns pontos e aplaudido em outros. E tudo que eu desejo é que o filme não acabe, não acabe. Mas ou se acaba ou se queimam aquelas belas imagens. Então, para não se esvaírem os agradecimentos, agente produz uma feliz e bela Coda. Eterna, sincera e roda. Os sons vão ficando piano, cada vez mais piano. Coloca-me em seus braços, berço e durmo.

sábado, maio 22

domingo, maio 16

Decidi voltar

E naquele tempo, clamavam...
O que nos resta é o desejo comum de voar. Ver a vida passar como que pássaros em direção ao horizonte infindo e indefinido, a sentir somente a brisa que toca o corpo causando conflito. Folha que percorre o curso do rio indica harmonia e não-mudança; folha que muda o sentido salta e ressalta o conflito natural existente. Conflito harmônico, conflito infinito, conflito que para e apara a realidade. Conflito que muda. E voar é a arte de se mover em intenso conflito com a natureza, talvez por isso seja tão difícil a natureza humana voar. Somos inicial e prematuramente avessos ao conflito. À medida que crescemos, melhor entendemos essa verdade que se consagra súbita e inquestionável, o que seria dizer que nos conformamos. Resta-nos a eterna esperança da harmonia. E, desenrolando, resta-nos almejar utopicamente, a cada momento do dia. Perfeição. De uma forma ou de outra a maioria quer o que não se tem. Acabam esquecendo de vislumbrar o memoramento do que se tem, do que se teve, do que se pode ter. Tão simples usar o mesmo verbo em três formas distintas a dizer nada parecido. E o curso do rio não muda. Fixa é o fluxo. Desde milênios, esse rio que aqui perpassa, do frígido ao caloso solo, se acaba por debaixo da terra. De longe está a alcançar a imortalidade do mar. E no infinito que se preza pelo prazer do saber vivido por poucos, desconhecido por muitos. E voar se torna uma atividade leve e fácil, como se impulso involuntário fosse flexionar os membros para o salto. E mesmo que a unidade do ideário não se hesite em fazer voar, se sente. Sentir como o pássaro, o animal do carma ao conflito. E andar, e falar, e levantar os braços em contrapartida, fica difícil. Tira-se um tento, se ganha o outro.